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Quem ganha com os incêndios em Portugal?

Este flagelo não é uma tragédia para todos.

O flagelo dos incêndios em Portugal encontra-se novamente a lavrar o país. Apesar da tragédia muitas pessoas se questionam acerca dos interesses económicos que possam estar escondidos. Neste artigo propomos um olhar sobre quem pode beneficiar com os incêndios. Não pretendemos fazer qualquer tipo de acusação, apenas o levantamento de actividades que, devido à sua natureza, podem ser, legitimamente, beneficiadas com os incêndios.

Como começam os incêndios

Este é uma tema intensamente debatido uma vez que existem uma diversidade de factores que contribuem para o início de um incêndio. A maior parte deles dependem exclusivamente da intervenção humana. Apesar das condições climatéricas poderem ser mais ou menos favoráveis, elas por si, dificilmente iniciam incêndios. Um comportamento negligente de alguém, ou uma intervenção propositada acabam por estar na origem da grande maioria dos incêndios. Apesar das pessoas poderem proteger a sua habitação contra incêndios, isso pode não ser suficiente.

Por um lado a falta de cuidado é um dos grandes factores que origina incêndios em Portugal, bem como, a sua propagação. Fazer queimadas ou lumes durante o período de verão, ou o simples acto de lançar um cigarro da janela do carro, numa zona de floresta, pode originar um incêndio de grandes dimensões. Fazer um churrasco ao ar livre, numa zona de mato e floresta, por exemplo, também constitui outro comportamento de risco. Não são raras estas situações em que um descuido deste género provoca um incêndio.

Depois de um incêndio começar, a tomada de dimensão depende fortemente de um outro comportamento, muitas vezes negligenciado, que é a limpeza dos terrenos. As chamas alastram com facilidade se tiverem mato seco rasteiro. Este mato é altamente inflamável e pegando fogo, na base das árvores, tem possibilidade de alastrar o fogo para estas. Este é alias um dos principais factores que é apontado pelas autoridades, como o principal responsável pelo alastramento em dimensões enormes, dos últimos incêndios em Portugal. Por isso mesmo, foi aprovada recentemente uma lei que prevê multas para quem não limpar os seus terrenos. Esta lei já começou aliás a ser fiscalizada por todo o pais, segundo indicação do Governo.

O fogo posto, por incrível que pareça, é outra das principais causas de incêndio em Portugal. Muitas vezes motivado por motivos económicos mas também devido a distúrbios psicológicos, o fogo posto é responsável pela origem de grande parte dos incêndios em Portugal. Recentemente também foram tornadas mais pesadas as penas para quem está nesta situação. No entanto, é sempre complexo apanhar o responsável e provar o seu envolvimento no início de um incêndio. Em Portugal, o historial de pessoas condenadas por fogo posto é muito reduzido. O próprio fogo apaga as poucas provas que possa haver no terreno, pelo que, fica difícil provar o sucedido em tribunal.

Interesses económicos nos incêndios

Como em grande parte dos acontecimentos dramáticos, existe sempre alguém que pode obter retorno económico, com o sucedido.

Um das áreas que se fala com frequência, ao debater este assunto, são as empresas de aluguer de helicópteros, utilizados no combate aos incêndios. Estas empresas são privadas, ás quais o Estado paga a prestação de um serviço. Este serviço é, diga-se, muito bem remunerado. Assim, devido à actividade destas empresas estão são uma das beneficiadas com incêndios duradouros e de grande dimensão. Obviamente não estamos a dizer que estas empresas são responsáveis pelo início ou propagação dos incêndios. O objectivo deste artigo, como já foi dito, é verificar quem possa ter legítimos benefícios da situação dos incêndios. Cada voo é pago à unidade e, naturalmente, quantos mais voos fizerem maior será a factura final.

A industria da madeira é outra área frequentemente referida como beneficiaria da situação dos incêndios. O que acontece é que a madeira queimada tem um valor muito inferior ao da madeira que não está queimada. No entanto, considera-se que esta é praticamente tão útil como a madeira normal, uma vez que nos incêndios, muitas vezes, apenas a “casca” desta é que fica queimada, o seu interior fica em bom estado e pode ser usado na industria. Por outro lado, ao haver uma inundação de oferta de madeira no mercado, isto também faz baixar o seu preço. Portanto existe ainda um factor de desvalorização adicional. Naturalmente que, quem fica a perder são os proprietários dos terrenos que vêm o seu “investimento” desvalorizar-se de forma drástica, sem nada poderem fazer.

Conclusão

A tragédia dos incêndios atinge o país praticamente todos os anos. Nessa altura debate-se recorrentemente que existem algumas pessoas ou entidades que beneficiam com eles. Esta questão surge uma vez que se apura que grande parte destes incêndios têm origem criminosa, ou seja, foram fogo posto. Assim, coloca-se a hipótese que quem os provoca poderá ter interesses económicos por trás. Neste artigo falamos de dois exemplos frequentemente referidos que são as empresas de aluguer de helicópteros para combate aos incêndios, bem como, as empresas que transaccionam madeira. Naturalmente não estamos a dizer que estas são responsáveis pelo início dos incêndios, apenas são consideradas áreas de actividade que acabam por sair beneficiadas quando se registam incêndios de grandes dimensões.

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