Time, energy and money. These should never be compromised.

Devo confiar no gestor de conta na hora de investir?

Os gestores serão isentos o suficiente para o aconselhar?

A literacia financeira em Portugal é das mais baixas da Europa. Isso significa que a maior parte das pessoas não possui conhecimentos aprofundados acerca de finanças e investimentos, o que pode dificultar a sua tomada de decisões nesta área. Devido a este motivo, muitas vezes, na hora de investir as pessoas procuram os conselhos do seu gestor de conta. Mas será um bom princípio confiar no gestor de conta? Veremos neste artigo.

Confiança de um gestor de conta

Ao recorrer ao aconselhamento do seu gestor de conta deve sempre ter em conta que este lhe providenciará um aconselhamento não isento. Todos os colaboradores de instituições financeiras têm objectivos e “produtos” que preferem vender em vez de outros. Assim, é difícil afirmar que o apoio dado por um gestor de conta seja inteiramente isento. As comissões sobre os produtos vendidos são diferentes, pelo que, o gestor de conta terá sempre alguns produtos que prefere vender em detrimento de outros. Desta forma, mesmo que estes possam não ser a melhor opção para o cliente, estes poderão acabar por ser aconselhados pelo gestor de conta. Lembre-se, no entanto, que a última palavra é sempre sua, mesmo que o seu gestor o aponte em determinada direcção, não terá, obrigatoriamente, de seguir a sua tendência.

Como é do conhecimento geral, no caso BES, houve várias situações de pressão dos gestores de conta para levar os clientes a investir em produtos de alto risco que não eram adequados para eles. Isto mesmo levou a que várias pessoas se sentissem lesadas pois foram induzidas a investir em produtos que nem conheciam bem o seu funcionamento. Vários processos decorrem ainda em tribunal impostos por estes clientes que tentam recuperar as suas poupanças. Este foi um exemplo claro de como o aconselhamento dos gestores de conta não é completamente isento. Alegadamente, os administradores do banco, na altura, davam altos incentivos e pressionavam os gestores de conta a vender determinados produtos de risco. Os gestores de conta, também eles pressionados pelas chefias, começaram a promover estes produtos e a vende-los de forma agressiva aos seus clientes. Isto permite concluir que não deve confiar no gestor de conta cegamente.

Aprofundar conhecimentos

Apesar de este ser o caminho mais trabalhoso é também o mais seguro e sensato. Ao invés de confiar o destino das suas poupanças a uma outra pessoa, que pode ter outros interesses, deve você próprio tomar essas decisões. Para isso necessita de aprofundar os seus conhecimentos em finanças. Vivemos numa era em que a informação está amplamente disponível, por isso, não tem desculpa para dizer que não tem acesso à informação. Na Internet ou em livros, conseguirá melhorar os seus conhecimentos de finanças e investimentos e, assim, poder começar a tomar as suas decisões de investimento sem precisar de confiar no gestor de conta. Pode, na mesma, ouvir a sua opinião mas já terá ferramentas para fazer a sua própria avaliação e, posterior, tomada de decisão.

Tornar decisões de investimento

Conforme foi referido, a melhor pessoa para decidir acerca dos seus investimentos é você próprio. Não deve delegar essa responsabilidade a outra pessoa. Aprender os principais conceitos de finanças não são uma tarefa complexa e pode crer, que ao longo da sua vida, o tempo investido na aquisição desses conhecimentos vai compensar. Ao colocar as suas decisões de investimentos no seu gestor de conta ou numa outra pessoa exterior, estará a sujeitar-se a outros interesses que a pessoa em questão possa ter. O pedido de opiniões a outras pessoas pode sempre ser proveitoso, mas deve ter conhecimento suficiente para, você próprio, conseguir julgar essas opiniões.

Conclusão

A melhor forma de tomar decisões de investimento é você próprio investir algum tempo a adquirir conhecimentos na área das finanças e investimentos. Os gestores de conta podem dar uma opinião mas dificilmente esta será 100% isenta. Veja o recente caso BES, em que foi demonstrado que estes eram, muitas vezes, pressionados pelas chefias a vender agressivamente determinados produtos de investimento desadequados para os clientes, nomeadamente por deterem um nível de risco não compatível com o seu perfil de investidor. Posto isto, confiar no gestor de conta pode ser um risco demasiado grande. Assim, procure sempre informar-se por si próprio, lendo e procurando informação na Internet e em livros. Esta é a forma mais trabalhosa mas, de certo, a mais segura e sensata. Lembre-se que se trata das suas poupanças que estão em jogo. A posição de dar opinião sobre as poupanças de outras pessoas é sempre mais confortável do que ser a própria pessoa a tomar as decisões.

Deixe o seu comentário

Seu endereço de email não será publicado.