Sete vinhos que deveríamos provar antes dos 35 anos

Caríssimos, este post será o primeiro do género. Iremos saltar da minha análise individual de vinhos para uma sugestão mais abrangente, que visa um determinado público alvo e com um determinado objectivo. Espero honestamente que daqui possa sair um misto de desafio e clarificação, algo que vos provoque um click. Precisamos entender melhor os vinhos que temos em Portugal, porque dar continuidade a este estado de indiferença e despreocupação, no limite, é sinónimo de incapacidade cultural.

Porque estamos a passar ao lado do que melhor se faz em Portugal?

Neste caso e falando de vinhos, ser-se aficionado, curioso, possuidor de garrafeira, possuidor de enoteca, seguidor de notícias da especialidade, simples enófilo, etc… tudo isto perfaz provavelmente 2 ou 3% das pessoas que nos rodeiam. Creio que em geral existe um total desconhecimento sobre a qualidade dos vinhos que fazemos, penso até que existe uma gritante falta de preocupação com o que bebemos e pagamos fora de casa. Considero mesmo que temos um ligeiro “atraso” evidenciado em situações que provavelmente já todos presenciamos, quando ouvimos afirmações “orgulhosamente cegas” que usam marcas conhecidas e preços elevados como base para expelir um “isto é que é bom!”, sem sequer testar, discutir, provar, errar, acertar, aprender, poder chegar ao fim e perceber que há garrafas que a metade do preço são melhores que outras das quais pensávamos que seriam “o melhor” vinho. Isto é a forma como melhor sintetizo as razões que considero estarem na base do afastamento dos jovens em relação aos melhores vinhos portugueses.

Creio que em geral existe um total desconhecimento sobre a qualidade dos vinhos que fazemos, penso até que existe uma gritante falta de preocupação com o que bebemos e pagamos fora de casa.

Este tipo de situações tem o seu expoente máximo no conhecimento dos espumantes portugueses, desconhecemos totalmente a qualidade que já estamos a conseguir alcançar neste tipo de vinho, temos uma exposição horrível de garrafas em várias “prateleiras” por este país fora, que misturam o bom com o mau, com o péssimo. O português não sabe o que escolher, mas pior ainda é que também não é ajudado a escolher bem. O preço de um bom espumante na restauração é roubo, uma garrafa não pode ser cobrada por cinco vezes mais o seu normal valor de venda, e nós também não nos manifestamos quando isto acontece, porque não queremos e principalmente porque não sabemos, porque entendemos que a maioria dos restaurantes sabe como nos servir quando a verdade é que efectivamente não sabe. É deste desconhecimento que surge um aproveitamento tão característico deste cantinho à beira mar plantado.

Como escolher o vinho certo?

Não se esqueçam que o ambiente pode estar perfeito, a refeição pode estar fantástica, a conversa bem interessante, mas só o vinho certo é capaz de colocar a cereja no topo do bolo de determinados momentos, só o vinho certo nos consegue deixar determinada ocasião presa na memória por muito tempo.

Então, para escolher o vinho certo vamos discutir até concordar, e quase com toda a certeza vos digo que no fim, vamos acabar por discordar. Todos gostamos de vinhos à nossa maneira, mas só a discutir se corrigem estes erros por mim acima apontados, percebemos que a nossa maneira não é tão imutável e definitiva como pensávamos, mas sim alterada por várias experiências que nos dizem já amanhã que a opinião que tenho hoje, afinal não era 100% correcta. Esta construção de conhecimento é como uma escada que temos de subir, degrau após degrau, discussão após discussão, concordância após concordância.

Então, para escolher o vinho certo vamos discutir até concordar, e quase com toda a certeza vos digo que no fim, vamos acabar por discordar.

Comecemos por esclarecer o seguinte, o erro na avaliação de determinado vinho está presente numa percentagem incrivelmente alta, há vários factores que nos influenciam na altura de pensar sobre o que estamos a provar, como por exemplo a temperatura, a nossa disposição, a companhia, a comida, os nossos hábitos, etc… Os vinhos que em baixo recomendo são para mim o exemplo mais próximo de tudo que acima vos comentei, e a ordem pela qual serão dispostos é a ordem pela qual devem ser considerados para um qualquer vosso momento especial. Primeiro os espumantes, são óptimos como entrada. Depois os brancos para criar ambiente, seguidos dos tintos. No fim sugiro ou colheita tardia, ou uma experiência relativamente recente e soberba, um espectacular licoroso.

A geração que pode realmente mudar alguma coisa.

Pois bem, para abanar um pouco este meio tão velho, pretensioso e viciado, fala-vos neste post de sete vinhos que todos devemos experimentar até aos 35 anos. Sete vinhos que vos são destinados por uma razão muito especifica, creio que todos eles contêm características que vos farão perceber o porquê de me querer direccionar a uma geração mais jovem, a qual é a única que neste momento poderá mudar um pouco as coisas. São vinhos irreverentes, robustos, vivos, mexidos, todos com um certo “factor X”, tal e qual como vocês! São vinhos de qualidade bem afinada e carácter distinto, capazes de nos fazer entrar neste meio da saudável prova em família ou entre amigos, da critica amadora com abordagem jovem, despreocupada, humilde e bem disposta.

Sete vinhos que deveríamos provar antes dos 35 anos.

Concluindo

Sem saber muito da poda, e sem andar há muito tempo a falar sobre isto, tenho ouvido queixas de produtores sobre tudo o que enuncio em cima. As razões dessas queixas apenas poderão ser corrigidas por sangue novo, todo e qualquer resultado que possa existir no futuro por acções iniciadas hoje apenas dependem de mentalidades jovens e ousadas capazes de causar mudanças nos anos que se seguem. Precisamos ganhar capacidade de insistir em conhecer, ter humildade em errar e permitir-nos perceber que para apreciar os melhores, primeiro tenho de me rodear dos piores, não tendo problemas em o admitir. Há por aí coisas elegantíssimas meus caros, capazes de nos fazer parar por alguns segundos e termos um momento só nosso, porque acreditem que quando isto acontece o melhor não está em afirmar “opá isto é que é bom!”, mas ao invés ter ali alguns momentos de puro prazer introspectivo.



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