Time, energy and money. These should never be compromised.

Investir em Obrigações

O que é uma obrigação

O investimento em obrigações é frequentemente fonte de muitas perguntas por parte do investidor comum. É um investimento não tão fácil de entender como o investimento em acções por exemplo. Antes de mais importa perceber o que é exactamente uma obrigação. Esta consiste numa parte da divida de uma empresa. Comparando com uma acção, que é uma parte do capital de uma empresa, uma obrigação está na ponta oposta do balanço, é uma parte das obrigações da empresa, ou seja as dividas. Ao subscrever uma obrigação de uma empresa o investidor está a actuar como um banco, emprestando capital à empresa que depois ficará com uma divida a si, e irá liquidando ao longo do tempo. No actual cenário de baixas taxas de juro que se vive em Portugal, em no geral na Europa, muitas empresas têm optado por obter financiamento desta forma e têm tido bastante sucesso a fazê-lo. O processo é lançar um processo de subscrição de obrigações, definir uma determinada taxa de juro, e aguardar que surjam investidores dispostos a emprestar aquele capital. A verdade é que em todas as ultimas emissões de obrigações de empresas portuguesas, a procura excede a oferta.

De referir que existe outra vertente das obrigações que são as obrigações emitidas por países. Exactamente da mesma forma que uma empresa necessita de financiamento, para comprar matérias primas, investir em novas tecnologias, entre outros, os Estados também necessitam de se financiar para fazer face a custos correntes com os serviços públicos, obras grandes que pretendem fazer, entre outros. Neste caso o investidor em vez de emprestar capital a uma empresa, está a emprestar ao Estado.

Quais os riscos envolvidos nas Obrigações

As obrigações são normalmente vistas como produtos de investimento de baixo risco. Isto porque, para que possa haver perdas para o investidor tem de existir um evento bastante improvável que é a total falência da empresa. Apenas nesta situação o investidor incorre em perdas. Em qualquer outros dos cenários, o investidor recebe, na maturidade das obrigações, o seu dinheiro acrescido dos juros (cupão) definido no momento da emissão da obrigação. De qualquer das formas, por ser improvável não quer dizer que não possa acontecer portanto deve sempre estudar bem quais as empresas nas quais investe em obrigações. Nomeadamente se a empresa tem contas sólidas e vende um produto/serviço com potencial e procura. Desconfie sempre de emissões de obrigações com cupões demasiado generosos. Normalmente isso reflecte uma situação financeira difícil da empresa. E como as instituições financeiras conhecem essa situação, já não emprestam capital a essa empresa e esta tem de procurar investidores particulares, aliciando-os com taxas de juro aparentemente muito boas. Normalmente o risco envolvido é proporcional à taxa de juro paga. Uma empresa muito sólida e com lucros elevados ano após anos, pagará muito pouco pelo dinheiro que pede emprestado uma vez que não tem qualquer dificuldade em obter financiamento. Assim, ao emitir obrigações oferecerá uma taxa de juro mais baixa. Por oposição, um cupão elevado costuma significar que a empresa está a ter alguma dificuldade em obter financiamento e isso pode ser um reflexo de se encontrar numa situação frágil a nível financeiro.

Nas obrigações emitidas por países passa-se exactamente o mesmo. Em caso de falência do pais, se este entrar em incumprimento, o investidor pode perder parte ou a totalidade do seu capital. Neste caso é importante, antecipadamente estudar a situação económica, financeira e politica do pais em questão. Normalmente países instáveis ou com conflitos internos tendem a oferecer taxas de juro mais atractivas. Por outro lado países mais seguros e estáveis costumam oferecer taxas de juro baixas. Recentemente aconteceu mesmo a situação de um pais (neste caso a Alemanha) ter feito emissões de obrigações com uma taxa de juro negativa. Isto significa que, não só, o investidor não é remunerado com qualquer taxa como ainda tem ele próprio de pagar uma taxa para poder efectuar o investimento. Esta situação faz sentido num cenário de falta de alternativas de investimento, em que os investidores procuram activos de refugio.

Como subscrever obrigações

Habitualmente a generalidade dos bancos oferece a possibilidade dos seus clientes subscreverem obrigações. Muitas vezes não se encontram publicitadas mas se o cliente manifestar a intenção de adquirir determinada obrigação o banco dá-lhe essa possibilidade. Isto aplica-se mesmo ás obrigações emitidas por Estados. Tenha em atenção que além dos habituais custos de aquisição existe também uma percentagem do rendimento que o banco cobra. Esta é uma situação penalizadora que a maior parte dos investimentos não possui, que consiste basicamente em o banco retirar uma determinada percentagem para si, de todos os rendimentos que o cliente obter com determinada obrigação. Por exemplo se uma obrigação render um juro de 1000€ por ano, o banco retém uma percentagem desse valor para si. Assim é bastante importante informar-se previamente de todos estes custos pois podem alterar significativamente a percepção de rendimento que detém. Uma boa taxa de juro, com todos os custos envolvidos, pode rapidamente tornar-se numa taxa de juro menos interessante e semelhante a um depósito a prazo (com muito menos risco).

Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.