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Comprar ou arrendar casa?

Ao iniciar a vida a dois ou ao ponderar trocar de casa, uma duvida que surge com frequência é: devo comprar ou arrendar casa? Esta é uma questão cuja resposta não é fácil, principalmente porque muito recentemente o mercado imobiliário tem tido algumas alterações significativas.

A crise do imobiliário

Acredita-se hoje em dia que a crise financeira de 2008 que afectou países de todo o mundo, teve origem no mercado imobiliário. A grande facilidade de crédito, bem como a valorização constante dos imóveis, fizeram com que poucas vezes se equacionasse arrendar o imóvel em vez de o comprar. O spread que a banca oferecia era muito atractivo pelo que ficava muito mais barato comprar o imóvel em vez de o arrendar. Assim muitas pessoas se endividaram, mesmo quem não tinha grandes condições para pagar o empréstimo. Com a crise, o valor da euribor começou a subir bastante e muitas pessoas deixarem de ter capacidade para honrar os seus compromissos e então perderam o imóvel para a banca. Isto fez com que começasse a haver um excesso de imóveis no mercado, ou seja, mais oferta que procura, o que provocou a queda acentuada dos seus preços. Nesse ano e seguintes assistiu-se a uma queda generalizada do valor dos imóveis. Mais recentemente, de forma progressiva, essa queda tem sido invertida, assistindo-se hoje a uma valorização acentuada.

O crédito bancário

Um aspecto importante a ter em consideração na sua escolha é qual a facilidade e custo de aceder, no momento em que pretende tomar a sua decisão, ao crédito a habitação. Se o acesso for dificultado e caro (alta taxa de juro), como sucedeu nos primeiros anos a seguir à crise financeira, então a solução mais adequada, e provavelmente a única viável, é recorrer ao arrendamento. Por outro lado, se estivermos a viver uma situação de abundância de crédito, provavelmente o seu custo será bastante mais reduzido, e consequentemente, poderá ser mais rentável efectuar a compra do imóvel em vez do arrendamento. Tenha, no entanto, atenção a não se sobre-endividar, ou seja, adquirir um imóvel acima das suas possibilidades. Considere a regra de as suas obrigações não serem superiores a um terço do total de rendimentos do agregado familiar. Desta forma terá sempre alguma margem, caso aconteça o que sucedeu na ultima crise financeira, em que as taxas euribor subiram repentinamente, o que fez aumentar as mensalidades dos créditos a habitação.

O mercado do arrendamento

O arrendamento, tal como outros mercados, depende da relação entre oferta e procura. Em zonas com pouca oferta e muita procura o preço das rendas tende a ser alto, em zonas com mais oferta e menos procura o preço das rendas tende a ser mais baixo. Actualmente, um pouco por todas as principais cidades portuguesas, assiste-se a um aumento das rendas. No entanto continuam a existir diferenças significativas nas rendas de Lisboa e Porto, por exemplo. As rendas estão também sempre relacionadas com o valor dos imóveis, pelo que, se pretende viver numa zona de prestigio numa localização premium, terá de suportar uma renda superior, bem como, o preço dos imóveis nessa zona também serão superiores à media envolvente. Muito poucas vezes encontrará preços desequilibrados entre a renda e o valor do imóvel.

Conclusão

Para tomar a decisão mais acertada terá de fazer todas as contas. Depois de escolher para que zona deseja ir viver, analise qual o preço de um imóvel nessa zona, bem como de uma renda. De seguida, com as condições que o banco oferecer consegue concluir se fica com uma mensalidade mais baixa arrendando ou adquirindo o imóvel.

No entanto deve ter em conta ainda que a compra exige a contracção de uma divida e um compromisso de longo prazo com uma instituição bancária. Por outro lado o arrendamento é mais flexível, não contrai nenhuma divida e pode mudar de casa com mais facilidade, se estiver numa situação de dificuldade, ou de necessidade (por exemplo se mudar de emprego).

Assim, não deixe só de considerar o ponto de vista financeiro mas equacione também a sua vida pessoal e profissional. Se tem um emprego cujo posto de trabalho pode ser deslocado para outro local com facilidade, talvez o arrendamento seja a melhor opção para si. Igualmente se está numa situação frágil no seu emprego, deve ponderar bem se o endividamento a longo o prazo não será um passo precipitado. Se acabar por decidir pela aquisição estude especialmente bem a envolvente do imóvel numa perceptiva de longo prazo. Não poderá mudar de casa com facilidade, por isso verifique, por exemplo, se é uma zona com escolas, caso esteja a pensar ter filhos. Se é uma zona com bons transportes, entre outros.

Em conclusão, a sua decisão nesta questão vai para lá da esfera financeira, por isso pondere bem tudo o que está envolvido, antes de avançar para uma decisão final.

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